Live: Os impactos do COVID-19 na indústria da moda e como isso afeta você

Há algumas semanas atrás, em uma live pelo meu Instagram, compartilhei meu ponto de vista sobre os impactos do novo coronavírus no mundo da moda e respondi algumas perguntas sobre o assunto. Vou compartilhar um resumo aqui do que rolou por lá:

  • Ao redor do mundo, semanas de moda foram canceladas.
  • A Vogue americana e a marca Pyer Moss são alguns exemplos de empresas que levantaram fundos para ajudar microempreendedores de moda passando por dificuldades financeiras.
  • Diversas marcas grandes declaram falência: Neiman Marcus é apenas uma delas.
  • No Brasil, os impactos também são profundos: Pequenos negócios fecham as portas e muitos não conseguem empréstimos com bancos – os juros ainda são muito altos.
  • Como muitos fornecedores da China ainda estão fechados, marcas Brasileiras não têm matéria prima para continuar produzindo. A mão de obra, que também é importada de outros países, está sem trabalhar. Trabalhadores destas fábricas sofrem mais ainda os efeitos da pandemia: não recebem qualquer tipo de apoio de seus empregadores desde que as confecções fecharam. Isso também acontece com imigrantes bolivianos no Brasil.

Estes pontos nos levam à pensar em algumas coisas importantes: Primeiramente, precisamos apoiar os nossos pequenos produtores, e valorizar a mão de obra que já temos aqui. A moda possui cadeias produtivas muito longas, que atravessam vários países, e este processo faz com que a moda seja uma das indústrias que mais poluem o nosso planeta. É fácil assim: comprar do local ajuda o meio-ambiente!

Algumas perguntas que fizeram durante a live:

  • “Você acha que a crise do covid-19 pode quebrar o sistema fast-fashion?”

Para quem não sabe, (resumidamente!) o sistema fast-fashion é um sistema de produção rápido, que produz roupas desenfreadamente, lançando coleções a cada semana ou a cada quinzena. Este sistema é notoriamente nocivo para o nosso planeta e nossa sociedade por produzir produtos em massa, em condições de trabalho deploráveis, muitas vezes de forma escrava. Peças que não são vendidas não são doadas, muito menos recicladas; são queimadas ou descartadas em aterros sanitários.

Pode ser que, por estarmos em casa, começaremos a repensar os nossos hábitos de consumo, e veremos que realmente não faz tanta diferença assim você ter 5 ou 30 pares de sapato. Pode ser que ao reavaliarmos isso, daremos mais valor ao que é de qualidade, ao que dura, ao que realmente é prático, útil e que amamos. Quantas vezes a gente já não comprou algo por impulso e depois ficou lá entocado no armário? Pode ser que isso aconteça menos futuramente.

Por um outro lado, ainda temos muitas pessoas que não pensam muito nisso, por diversos motivos, sendo a falta de educação financeira para a população mais pobre um dos principais. Para muitos ainda é mais confortável comprar a mesma peça de roupa, mesmo que sem qualidade, várias e várias vezes porque ela é muito mais barata. A falta de empoderamento feminino também é um fator determinante; nós mulheres ainda somos muito prisioneiras de tendências e padrões estéticos irreais e cruéis. Quando nos libertamos disso, também podemos escolher melhor como gastar nosso (suado!) dinheirinho.

  • “As grifes pararam de lançar coleções?”

Muitas não estão produzindo coisas novas, apenas lançando o que já estava planejado. Este é um momento de reinvenção para muitas marcas, cheio de dificuldades mas também de oportunidades.

  • “Como a crise afeta o consumo de classes no Brasil?”

Para as classes mais altas, o consumo de luxo sofreu um baque muito forte. Muitas lojas físicas que não possuíam um e-commerce se viram obrigadas a criar um rapidamente, e mesmo as marcas que já possuíam uma loja online sentiram quedas de até 70% em suas vendas. O consumidor de marcas de alto padrão quer ter a experiência de uma loja de luxo, de provar, tocar. Um exemplo de estratégia de sobrevivência foi a do grupo LVMH (Dior, Marc Jacobs, Louis Vuitton, e etc.) adaptando seus laboratórios de perfumes para produzirem álcool em gel.

Para classes médias e mais baixas, o momento é de retração. Muitas pessoas estão desempregadas e simplesmente não pensam de forma alguma em comprar roupas. Há entretanto um aumento no comércio de cama, mesa e banho, homewear e sleepwear (roupas para ficar em casa e pijamas). O que faz muito sentido, já que estamos quase todos em casa!

Agora, será que podermos ser otimistas para um futuro pós-covid19? Somente o tempo irá dizer.

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