Fashion Week: Inovação antes, durante e após o COVID-19

Fashion Week, ou semana de moda em português, é como se chamam as semanas durante um mês, onde as grandes marcas apresentam suas coleções para a estação determinada. (Quer saber mais sobre o calendário internacional de moda? Confira o ultimo post!)

Muitos desfiles entraram para a história pela sua performance, mensagem, ou forma de apresentar as roupas. A inovação e a criatividade sempre estiveram presentes, e em momentos de crise, nos perguntamos: como serão as semanas de moda durante ou até mesmo após a pandemia do coronavírus?

Alguns desfiles que entraram para a história são os seguintes:

  • Dior (Alta Costura), Spring/Summer 1998

O desfile de primavera/verão de 98 da Dior, é lembrado por muitos até hoje. John Galliano, o então diretor criativo da marca, era conhecido pelo drama em suas passarelas, e naquele ano não foi diferente. Inspirado pela Marchesa Casati (Luisa Casati), uma musa e apreciadora das artes do começo do século XX, criou uma coleção cheia de excessos, brilhos, glamour e claro: muito drama! O desfile aconteceu na Opera Garnier em Paris, e no final, milhares de borboletas de papel (cortadas à mão!) caíram ao chão. Com certeza, um dos desfiles mais belos já vistos.

  • Alexander McQueen, Spring/Summer 1999

É muito difícil escolher apenas um desfile marcante de Alexander McQueen, mas este foi revolucionário. McQueen tinha a natureza, a tecnologia e o grotesco como seus temas de exploração favoritos, e não tinha medo de chocar o público. O que fez desse desfile muito diferente dos outros, foi o elemento surpresa.

No início, parecia um desfile comum, peças com experimentações em cortes, volumes, alfaiataria impecável, mas até então, nada muito “bizarro”. No entanto, ao final do desfile, a modelo Shalom Harlow entrou na passarela com um vestido de papel e posicionou-se em uma plataforma giratória. As duas máquinas que estavam na passarela o tempo todo (mas ninguém tinha prestando muita atenção à elas) começaram a atirar tinta no vestido de papel, formando um desenho único com o movimento da plataforma giratória. Um trabalho magnífico e que vale muito a pena conferir.

  • Hussein Chalayan, Autumn/Winter 2000

Esse desfile é daqueles que pesam seu coração. Belíssimo e tocante do início ao fim, incrustado com uma mensagem potente e ainda relevante, 20 anos depois. Chalayan nasceu no Chipre, e vivenciou a invasão turca em seu país durante a sua infância. Essa coleção, intitulada After Words, tem como tema a migração, a fuga do conflito, e o vazio que isso causa. O desfile se inicia com uma família comum, desprendendo suas roupas das cadeiras de onde sentavam, e abandonando o palco, que estava decorado como uma sala de casa. Após saírem, entram as modelos, e aos pouco percebemos que uma a uma, estão levando pequenos objetos da casa em bolsos ou em partes de suas roupas. Ao final, quatro modelos entram, desprendem os tecidos que cobriam as cadeiras e os vestem, desmontam as cadeiras e as transformam em maletas. A ultima modelo, vestindo um simples vestido branco, se aproxima da mesa de café. O que acontece depois, nos deixa surpreendidos. Confira o vídeo!

Estes são apenas alguns! São muitos os desfiles que gostaria de incluir aqui, mas isso fica para um futuro post.

Quando a pandemia do Covid-19 foi declarada, estávamos em meio às semanas de moda de Milão e Paris. Muitos desfiles foram cancelados e designers tiveram que pensar rápido em alternativas para poderem, ainda assim, apresentarem suas coleções. Estas foram algumas das marcas que surgiram com alternativas muito criativas, e que podem definir como serão as futuras semanas de moda pós-pandemia.

  • Angel Chen Studio, Autumn/Winter 2020

Angel Chen é uma designer chinesa que ganhou notoriedade ao aparecer na Forbes Magazine na edição 30 under 30 Asia (esta edição da Forbes mostra 30 pessoas muito bem sucedidas antes de terem 30 anos). Aos 27 anos, ela já vendia suas roupas em mais de 70 estoquistas ao redor do mundo. Ela também ficou conhecida por participar da competição Next in Fashion, disponível no Netflix.

Angel conta que para essa coleção, ela quase não conseguiu concluir as peças, porque seu estúdio estava fechado por conta do lockdown instaurado na China. Com a data do desfile marcada e modelos contratadas, ela teve de ir escondida até o estúdio para pegar seus materiais, e ir até o estúdio na casa de uma amiga para poder concluir as peças à tempo. Para contornar a situação de um desfile sem platéia, Angel usou de sua enorme criatividade. O tema de inspiração para a coleção foi o famoso anime Akira, e com a ajuda de técnicos de realidade aumentada, ela conseguiu criar uma atmosfera totalmente de outro planeta para a passarela. O vídeo completo está no Instagram da marca.

Vídeo: Instagram oficial @angelchenstudio
  • Heliot Emil, Autumn/Winter 2020

A marca dinamarquesa criada pelos irmãos Julius e Victor Juul, tem o nome Heliot Emil em homenagem ao bisavô deles, que tinha o mesmo nome. Com um design monocromático, sóbrio, unisex e típicamente escandinavo, os irmãos Juul estrearam em Milão em 2017, e desde então conquistam e influenciam o mundo da moda com suas peças únicas.

Para o outono/inverno de 2020, os irmãos conceitualizaram uma experiência diferente para o seu desfile: ele foi todo filmado em 360 graus, em uma forma completamente imersiva e que o expectador pode participar com óculos de realidade virtual ou por qualquer dispositivo. O engraçado é que este conceito foi concebido muito antes da declaração da pandemia e dos cancelamentos dos desfiles: “Nunca foi parte do nosso processo de planejamento de que as pessoas poderiam eventualmente não poder ou não querer participar de desfiles presenciais por conta dessa situação” conta Julius.

Apesar disso, o resultado ficou incrível. Confira um trecho aqui:

Trecho da realidade virtual: Site oficial Heliot Emil
  • Hanifa, Pink Label Congo, 2020

E para fechar com chave de ouro, este desfile deu o que falar nos últimos dias pela sua inovação e tecnologia: um desfile 100% virtual e pasmem: sem modelos!

Anifa Mvuemba é a diretora criativa da marca, e conta que começou em 2012, com apenas 21 anos. Anifa mora nos EUA, mas sua família é do Congo, e para esta coleção quis conscientizar as pessoas sobre as condições de trabalho abusivas na indústria de mineração de Coltan (Columbita e Tantalita), um minério valiosíssimo utilizado na produção de naves espaciais, armas sofisticadas e smartphones. Aproximadamente 68% de todo o Coltan extraído no mundo vem do Congo. Por conta disso, Anifa decidiu usar sua voz e trazer o assunto à tona.

Veja aqui trechos do desfile virtual:

Vídeo: Instagram oficial @hanifaofficial
Vídeo: Instagram oficial @hanifaofficial

Ainda não podemos afirmar como serão os desfiles e as semanas de moda em uma realidade pós-Covid19, talvez ainda seja muito cedo. Mas podemos ter certeza de que a inovação estará lá.

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